Hacks em carteiras de hardware: spoofing de firmware e outros truques

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Patrick Dike-Ndulue
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O método mais confiável para armazenar criptomoedas é uma carteira fria e não custodial. Mas isso significa que, ao guardar ativos em um dispositivo físico, você não precisa se preocupar com a segurança? Ainda existem ameaças potenciais?

Inviolável – ou será?

Durante um tempo, acreditava-se que carteiras de hardware eram invioláveis, e os fabricantes promoviam bastante essa ideia. Parecia lógico, então, que seria seguro comprar esses dispositivos usados — inclusive alguns fabricantes faziam isso, aliás. Comprar um aparelho usado por US$ 50 em vez de US$ 100 é realmente tentador.

Essa parecia uma ótima ideia até o momento em que ficou claro que carteiras frias também podem ser hackeadas. Um dos primeiros a provar isso foi o hacker Saleem Rashid, de 15 anos, que demonstrou um ataque à Ledger Nano S. Ele conseguiu instalar um firmware modificado na wallet, capaz de revelar as chaves privadas do usuário quando o dispositivo fosse usado novamente.

Saleem também afirmou que seria possível instalar o firmware remotamente, infectando o computador da vítima com um malware que sugeriria uma atualização para o firmware "com defeito" da wallet. Se a pessoa aceitasse, uma versão modificada do firmware seria instalada na carteira.

Curiosamente, quando o hacker relatou o problema ao fabricante, a empresa classificou a vulnerabilidade como difícil de reproduzir. Mesmo assim, depois lançou uma atualização para evitar esse tipo de invasão.

E não para por aí. Pesquisadores de segurança digital começaram a testar carteiras frias para descobrir o quão seguras realmente são — e encontraram resultados bem interessantes. Por exemplo, participantes do 35º Chaos Communication Congress demonstraram vários métodos para hackear carteiras de hardware Ledger (um deles foi usado pelo especialista Joe Grand há um ano para recuperar US$ 2.000.000 em criptomoedas). Descobriu-se que é possível baixar firmwares comprometidos, permitindo que hackers acessem códigos PIN e até frases mnemônicas.

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É tão grave assim?

Nem tanto. Para realizar um ataque de spoofing de firmware, é preciso ter acesso físico ao dispositivo, o que não é simples. Existem duas possibilidades: 1) hackear a wallet antes de chegar ao dono, e 2) hackeá-la sem que o proprietário perceba. No mundo da segurança digital, o primeiro é chamado de “ataque à cadeia de suprimentos” e o segundo de “ataque da camareira mal-intencionada” (evil maid attack). Ambos têm falhas: o primeiro exige muita preparação; o segundo pode demorar e levantar suspeitas se a wallet não for devolvida rapidamente ao dono.

Isso é só teoria?

Há exemplos reais de ataques bem-sucedidos, alguns bem difíceis de executar. Por exemplo, hackers invadiram o servidor da Trezor e conseguiram acessar e-mails de clientes. Depois, enviaram mensagens avisando que, por problemas no firmware, os dispositivos precisariam ser substituídos. Bastava informar um endereço para receber uma nova wallet. As vítimas realmente recebiam as carteiras, mas o firmware já vinha alterado para enviar as chaves privadas aos hackers.

De vez em quando, também aparecem falsificações no mercado. Elas podem ser encontradas em sites de classificados, e hackers às vezes vendem carteiras falsas em páginas próprias, fingindo ser revendedores autorizados. 

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Uma wallet falsa e uma original. Tente adivinhar qual é qual

Outro método de ataque é o BadUSB. Hackers normalmente usam essa tática para instalar malware em computadores de empresas, mas ela também pode ser aplicada a carteiras de cripto. O clássico é deixar pen drives infectados em recepções de escritórios ou cafés próximos. Se alguém decidir usar um desses “pendrives perdidos”, o computador será infectado. Às vezes, esses dispositivos são enviados como se fossem brindes para clientes. No universo cripto, o mesmo truque pode ser feito “esquecendo” uma wallet modificada em algum lugar estratégico ou “presenteando” uma vítima específica.

Como se proteger

O mais importante é comprar carteiras frias apenas de vendedores autorizados. Se quiser comprar de um revendedor, confira se ele está listado no site oficial do fabricante. Caso não encontre a lista, entre em contato com o suporte. Nunca compre uma wallet usada.

Se você já tem uma wallet, não a deixe em locais visíveis e não confie a ninguém. Isso vale até para amigos — mesmo confiando neles, você não sabe como ou onde vão guardar o dispositivo, nem se podem ser visitados por uma “camareira mal-intencionada”.

Existe uma wallet realmente inviolável?

Sim, a Tangem Wallet. Nossa wallet possui certificação EAL6+ e o firmware é instalado no chip da wallet uma única vez, durante a fabricação na fábrica. Depois disso, é fisicamente impossível alterar o firmware: não é possível ler nada do chip nem instalar uma nova versão nele.

Mesmo que um hacker conseguisse modificar o firmware, a wallet se tornaria inutilizável. O serviço de atestação do firmware detectaria a alteração e avisaria o usuário.  

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Autor Patrick Dike-Ndulue

Senior editor covering crypto, onchain equities, and technology.

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Analisado por Rukkayah Jigam

Writer & editor covering digital assets and product updates.