Identificadores descentralizados (DIDs)

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Patrick Dike-Ndulue
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Serviços descentralizados não se limitam a criptomoedas, NFTs e exchanges. Eles também são utilizados por plataformas de streaming, bancos de imagens, serviços de hospedagem e outros. No futuro, quase todos os recursos que usamos hoje funcionarão em sistemas descentralizados e registros distribuídos. Mas uma das inovações mais interessantes e úteis que nos aguardam nesse futuro Web3 é o identificador descentralizado, ou DID. Na verdade, eles já existem — só falta a adoção em massa.

De forma simples, um DID é um identificador que dá a você controle total sobre suas informações pessoais, ou sua “identidade digital”. Com os DIDs, é possível passar rapidamente por processos de identificação e definir quem, quando e o que exatamente terceiros e organizações podem saber sobre você. Ao mesmo tempo, os dados se tornam praticamente impossíveis de serem roubados, alterados ou utilizados sem o seu conhecimento. As organizações conseguem verificar instantaneamente a autenticidade das informações fornecidas.

O problema dos dados pessoais atualmente

O problema não é que nossos dados sejam armazenados de forma inadequada. O principal desafio é que eles ficam centralizados, em bancos de dados específicos dos serviços em que nos cadastramos. Em caso de vazamento, invasores podem acessar nossas contas e, dependendo do tipo de conta, ler mensagens, roubar documentos, arquivos ou informações de cartão de crédito.

Alguns serviços sabem muito sobre nós: possuem nossos endereços, telefones, locais de residência e dados de passaporte. Tudo isso serve para garantir que os usuários são realmente quem dizem ser. O problema é que esses dados acabam armazenados nos sistemas internos das empresas e ninguém, além delas, sabe para que estão sendo usados ou quem tem acesso.

Talvez você se lembre de um hábito comum em certos serviços: pedir que o usuário autorize o compartilhamento de seus dados pessoais com terceiros. Muitas vezes, não informam quem são esses terceiros, por que os dados estão sendo transferidos ou como serão armazenados com segurança.

Como funcionam os DIDs

Ao usar um identificador descentralizado, os dados não ficam no banco de dados de uma empresa, mas sim em uma blockchain ou registro distribuído. Não é necessário passar por um processo de identificação no cadastro e nem criar usuário e senha para acessar sua conta. Na prática, um DID é como uma carteira cripto não custodial: possui chaves públicas e privadas, mas, em vez de assinar transações, a chave privada serve para autenticar sua identidade.

É claro que, no início, você precisa comprovar sua identidade. Essa função deve ser desempenhada por entidades confiáveis capazes de validar as informações pessoais do usuário, chamadas de “emissoras”. Esse papel pode ser exercido por um banco ou órgão governamental.

Veja um exemplo de como funciona o processo: 

  1. A emissora cria seu próprio DID, que será usado para interagir com outros participantes do ecossistema.
  2. O usuário fornece à emissora as informações que deseja validar (por exemplo, um passaporte).
  3. A emissora realiza a verificação, autentica o documento e gera uma declaração de verificação (credencial), assinada com seu identificador. Essa declaração é vinculada ao DID do usuário e armazenada em seu banco de dados pessoal.
  4. Quando precisar apresentar dados a um serviço, empresa ou órgão público, o usuário concede acesso por meio do DID. A organização só precisa verificar se os dados foram emitidos por uma emissora confiável e se a assinatura digital é válida.

Vamos imaginar um cenário real. Pense em um futuro onde os DIDs são comuns e a emissora de dados verificados é, por exemplo, a universidade onde você se formou. Os dados do diploma verificado ficam registrados em um sistema descentralizado, incluindo todo o seu histórico acadêmico.

Assim, ao se candidatar a uma vaga de emprego, não é mais necessário levar uma cópia do diploma para que o RH confirme a autenticidade. Basta escanear um QR code com o pedido de dados do DID e escolher quais informações compartilhar (neste caso, o diploma). O empregador saberá imediatamente que o documento é válido.

Quando esse futuro vai chegar?

À primeira vista, parece que ele já está aqui — em alguns lugares. Por exemplo, é possível usar sua conta Google para se cadastrar e acessar sites e aplicativos. Em alguns países, serviços públicos já funcionam de modo parecido, permitindo que usuários autorizem o compartilhamento de dados pessoais entre instituições.

Mas há um grande PORÉM: os dados do usuário continuam centralizados. Ainda não é possível acompanhar como as informações são armazenadas ou processadas. Além disso, se a autenticação em dois fatores estiver desativada, a única proteção contra acessos indevidos é uma senha que pode ser roubada ou descoberta. Se um invasor tomar a conta, terá acesso a todos os aplicativos e sites em que ela foi usada para login.

Vale destacar que um DID não garante que os dados recebidos do registro serão armazenados com segurança, mas o mais importante é que ninguém pode acessá-los sem a chave privada do usuário. O ideal seria que as empresas nem armazenassem dados dos usuários, solicitando-os diretamente ao DID.

Apesar de a adoção em massa ainda estar distante, empresas já reconhecem as oportunidades dos identificadores descentralizados e cada vez mais serviços oferecem infraestrutura compatível com DID. Um exemplo de sucesso é o projeto DOCK. Desde 2017, a empresa desenvolve uma plataforma de contas de usuário baseada em blockchain construída sobre o framework Substrate, com mecanismo de consenso proof-of-stake. O token nativo DOCK está listado em várias exchanges, incluindo Binance e Huobi. A empresa oferece proteção na criação de documentos verificados (como diplomas), certificados para proteção de cadeias de suprimentos e mais. 
 

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Autor Patrick Dike-Ndulue

Senior editor covering crypto, onchain equities, and technology.

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Analisado por Rukkayah Jigam

Writer & editor covering digital assets and product updates.