O que são criptomoedas anônimas? Monero, Zcash, DASH

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Patrick Dike-Ndulue
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Muitas pessoas utilizam criptomoedas para transações justamente por serem pseudônimas. No entanto, ao contrário das criptomoedas convencionais, as privacy coins contam com recursos avançados que tornam as transações impossíveis de rastrear e mantêm a confidencialidade dos dados. Neste artigo, vamos explicar como funcionam as criptomoedas anônimas, por que estão ganhando destaque e qual o impacto delas na privacidade dos usuários e na conformidade regulatória.

O que são criptomoedas anônimas?

Criptomoedas anônimas, também chamadas de privacy coins, são um tipo de moeda digital que mantém as identidades e transações dos usuários privadas e protegidas. Essas moedas utilizam criptografia avançada para ocultar detalhes das transações, tornando o processo mais seguro e confidencial. Informações como remetente, destinatário, data e valor das transações nessas blockchains ficam invisíveis para observadores externos.

Principais características das privacy coins:

  • Anônimas. As privacy coins ocultam as identidades de quem envia e de quem recebe, dificultando rastrear as transações até pessoas específicas.

  • Irretratáveis. Transações feitas com privacy coins são difíceis de rastrear, impedindo que terceiros acompanhem o fluxo dos fundos.

  • Advanced cryptography. As moedas anônimas usam técnicas como stealth addresses, ring signatures e zk-SNARKs para proteger os detalhes das transações. Stealth addresses criam um endereço único para cada transação. Ring signatures combinam as chaves da conta do usuário com chaves públicas da blockchain, tornando muito difícil associar uma transação a um usuário específico. Os zk-SNARKs permitem a verificação sem revelar dados sensíveis. 

Como funcionam as criptomoedas anônimas?

Como vimos, a tecnologia blockchain anônima utiliza diversas técnicas criptográficas para garantir a privacidade das transações e a segurança das comunicações. Veja algumas das mais populares:

  1. Stealth addresses são endereços de uso único gerados por meio do protocolo Diffie–Hellman de troca de chaves. Um endereço aleatório e temporário é criado para cada transação, impedindo que seja vinculado ao destinatário.

  2. zk-SNARK (Zero-Knowledge Succinct Non-Interactive Argument of Knowledge). Esse algoritmo permite que os participantes de uma transação provem sua validade sem mostrar detalhes pessoais, como quem está envolvido ou o saldo das contas.
    The algorithm's objective is to show you the value of “A” without saying what “A” is or presenting any other data. Transactions that use the zk-SNARK technology operate as follows:
    - The “prover” creates two keys (public and private): a “proving key” and a “verification key”.
    - The prover makes a proof, which is a math representation of a specific statement. They use their private key and send the proof along with the public key to the verifier.
    - The verifier checks the proof's authenticity using the public key and does not require any additional data.
    Zk-SNARKs require a lot of computing power. They also need a trusted setup process, which can be a weak point.

  3. Mixing ou Shuffling consiste em combinar múltiplas transações para ocultar suas origens e destinos. O mixing é relativamente fácil de implementar e pode mascarar as origens das transações de forma eficiente. No entanto, essa abordagem geralmente depende de terceiros confiáveis e não oferece garantias de anonimato tão fortes quanto outros métodos.

  4. Ring signatures. Essa tecnologia utiliza uma assinatura gerada a partir de múltiplas assinaturas de um grupo específico de usuários. Observadores externos conseguem ver que a transação foi assinada por alguém do grupo, mas não conseguem identificar o indivíduo.

    A ideia das ring signatures remonta à Idade Média, quando as pessoas assinavam petições escrevendo seus nomes em círculo, ocultando assim quem iniciou o abaixo-assinado.

Ring signatures são mais simples que os zk-SNARKs e não exigem uma configuração confiável, o que facilita sua implementação. Porém, oferecem garantias de anonimato menos robustas, já que o tamanho do grupo pode limitar sua eficácia.

Monero, Zcash e DASH estão entre as criptomoedas mais populares que utilizam esses protocolos para ocultar dados dos participantes das transações. Apesar de proporcionarem processos seguros e privados, as privacy coins também enfrentam desafios importantes, como maior escrutínio regulatório, possíveis impactos de avanços tecnológicos como a computação quântica e menor liquidez em exchanges.

Principais criptomoedas anônimas de 2024

Confira as principais moedas anônimas disponíveis atualmente no mercado.

  1. Monero (XMR)

A Monero e seu mecanismo de criptografia CryptoNote estão entre os destaques. Os dados dos usuários nessa blockchain são privados por padrão, e a rede oculta desde as identidades dos participantes das transações até o valor transferido. As informações das transações ficam visíveis apenas para quem envia e recebe — terceiros não têm acesso a esses dados.

A Monero utiliza uma combinação sofisticada de tecnologias criptográficas. Os dados das transações são criptografados usando stealth addresses, ring signatures e o protocolo RingCT, que permite ocultar os valores das transações.

A Monero é bastante popular na dark web, e sua segurança levanta preocupações entre autoridades e reguladores que monitoram de perto a rede.

Desenvolvedores de moedas anônimas estão constantemente buscando novas formas de aprimorar a privacidade. No entanto, é importante lembrar que essas redes nunca são totalmente anônimas. Já foram identificadas falhas no mixer da Monero, permitindo que entradas e saídas específicas sejam vinculadas. Riccardo Spagni, principal desenvolvedor da Monero, comentou sobre o assunto:

“Privacy isn’t a thing you achieve, it’s a constant cat-and-mouse battle. We can take certain steps to continue to improve the sampling, but the reality is that this isn’t a solvable problem by just pecking away at it.”

Por que a Tangem Wallet não suporta Monero (XMR)?

Embora priorizemos segurança e privacidade, existem desafios específicos para suportar a Monero devido à sua criptografia única, como o protocolo RingCT com ring signatures. Esses mecanismos diferem bastante dos esquemas criptográficos padrão, e adaptá-los ao hardware seguro do Tangem Card apresenta obstáculos técnicos.

As transações da Monero também exigem dados extras, como múltiplas entradas falsas para garantir a privacidade, o que aumenta as demandas computacionais e de armazenamento do Tangem Card.

A arquitetura atual do nosso cartão é altamente otimizada para outras moedas. Temos avaliado cuidadosamente a possibilidade de suportar a Monero. Embora não seja impossível, seriam necessárias mudanças substanciais, com riscos que superam os benefícios.

Outro desafio é que o design da Monero exige que o app trate a sincronização da blockchain e o preparo das transações de forma diferente. Delegar certas tarefas a serviços externos poderia comprometer a privacidade que os usuários da Monero esperam, algo que queremos evitar.

A Tangem segue buscando formas de ampliar o suporte a diversas criptomoedas. No entanto, a Monero permanece fora da nossa lista de moedas consideradas no momento, devido à complexidade técnica envolvida.

  1. Zcash (ZEC)

A Zcash é a principal rival da Monero e utiliza o protocolo de criptografia Zerocash. A principal diferença em relação à Monero é que, na Zcash, a privacidade é opcional. Os participantes das transações podem decidir se querem tornar suas atividades públicas ou ocultar os dados.

Endereços de transação que começam com a letra “Z” são criados quando o usuário deseja anonimato total, enquanto endereços com “T” são usados para transações públicas.

A Zcash utiliza o protocolo zk-SNARK, baseado no conceito de prova de conhecimento zero. Isso permite confirmar a validade de uma transação sem revelar qualquer informação sobre a outra parte envolvida ou permitir sua identificação. O valor da transação também fica oculto de terceiros.

Ao transferir de endereços protegidos para públicos, os valores das transações ficam visíveis para observadores externos. Porém, ao transferir de um endereço público para um protegido, os valores não ficam visíveis para terceiros.

Assim como a Monero, a Zcash não é o token anônimo perfeito. Em 2020, pesquisadores da Carnegie Mellon University descobriram que o nível de privacidade da rede não é tão alto quanto afirmado pelos desenvolvedores, e mais de 99% das transações poderiam, em teoria, ser rastreadas. Ainda assim, os pesquisadores reconheceram que o ecossistema da Zcash possui recursos criptográficos impressionantes.

  1. Dash (DASH)

A Dash, originalmente chamada de XCoin e depois Darkcoin, é uma criptomoeda anônima criada por Evan Duffield. Duffield buscava aprimorar o anonimato do Bitcoin e, assim, desenvolveu a XCoin.

A Dash garante anonimato por meio do mecanismo de mixing PrivateSend, baseado na tecnologia CoinJoin. O sistema não ativa esse protocolo por padrão, e sua ativação implica taxas de comissão mais altas.

O mixing utiliza masternodes aleatórios em várias rodadas, sendo quatro o número recomendado. Isso esconde a ligação entre quem envia e quem recebe a criptomoeda. Os donos de masternodes precisam depositar 1.000 DASH para processar transações e receber recompensas.

Usuários da Dash podem ativar o protocolo InstantSend para transações instantâneas, mas a comissão é mais alta. Nesse caso, um quórum de 10 masternodes decide se aprova ou rejeita a transação.

Fernando Gutierrez, Chief Marketing Officer do Dash Core Group, falou ao Cointelegraph. Ele argumenta que a Dash não é principalmente um ativo de privacidade. 

“Dash is a payments cryptocurrency, with a strong focus on usability, which includes speed, cost, ease of use, and user protection through optional privacy.” 

Ele destaca que a equipe da Dash atualizou a tecnologia de mixing CoinJoin, inicialmente apresentada pelos desenvolvedores do Bitcoin em 2013. 

Como reguladores se opõem às criptomoedas anônimas

As privacy coins representam grandes desafios para o cumprimento das regras de combate à lavagem de dinheiro (AML) e conheça seu cliente (KYC). Essas normas buscam evitar atividades ilícitas, exigindo que usuários comprovem identidade e monitorando transações suspeitas. O foco no anonimato dificulta que exchanges e serviços cripto estejam em conformidade com essas leis.

Os reguladores têm buscado diferentes soluções para lidar com esses riscos:

  • Banning privacy coins. Alguns países optam por banir privacy coins em exchanges reguladas, reduzindo o acesso.
  • Tightening KYC/AML rules. Exchanges que lidam com privacy coins podem ter que seguir exigências KYC/AML ainda mais rigorosas para maior controle.
  • Labeling as Anonymity-Enhanced Cryptocurrencies (AECs). Essa classificação pode gerar mais obrigações de monitoramento e reporte para essas moedas.

Em junho de 2022, o Financial Action Task Force (FATF) atualizou suas diretrizes para ativos virtuais, recomendando que países considerem os riscos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo associados às moedas anônimas e adotem medidas para enfrentá-los.

Regiões diferentes adotaram abordagens variadas para regular as privacy coins:

  • Japan. O Japão baniu moedas anônimas por preocupação com seu uso em atividades ilícitas.
  • South Korea. Privacy coins são proibidas em exchanges de cripto na Coreia do Sul.
  • United States. Os EUA não baniram privacy coins, mas já tomaram medidas legais contra serviços como o Tornado Cash, que fazem mixing de moedas anônimas.
  • European Union: O regulamento MiCA da União Europeia trouxe regras mais rígidas para lidar com privacy coins.

Defensores das privacy coins argumentam que a privacidade é um direito humano básico e que essas moedas são essenciais para proteger o anonimato dos usuários. No entanto, para acompanhar as mudanças regulatórias, as privacy coins talvez precisem oferecer opções de privacidade ajustáveis, em vez de privacidade obrigatória por padrão. Trabalhar em conjunto com reguladores e apresentar casos de uso legítimos pode ajudar as privacy coins a permanecerem relevantes e atender às preocupações regulatórias.

Conclusão

Comparadas a métodos tradicionais de pagamento, como cartões de crédito, as criptomoedas oferecem uma camada especial de segurança graças à tecnologia blockchain. Elas utilizam criptografia avançada de chave pública para proteger e validar as transações.

As privacy coins vão além, garantindo que suas informações pessoais permaneçam privadas — ninguém pode acessar os detalhes das suas transações ou vinculá-las à sua identidade real, incluindo seu endereço IP.

Essas moedas asseguram transações confidenciais e proporcionam uma experiência totalmente anônima, diferente do que ocorre com transações em Bitcoin, que muitas vezes podem ser rastreadas até indivíduos.

As moedas anônimas enfrentam escrutínio nos Estados Unidos e em outros países, mas continuam cumprindo um papel relevante no mundo real. Como observado em fontes como a Wikipedia, as privacy coins seguem oferecendo uma ampla gama de usos atualmente.

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Autor Patrick Dike-Ndulue

Senior editor covering crypto, onchain equities, and technology.

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Analisado por Rukkayah Jigam

Writer & editor covering digital assets and product updates.