Blockchain na medicina: novas formas de armazenar e gerenciar dados médicos

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Patrick Dike-Ndulue
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A tecnologia blockchain traz uma abordagem revolucionária para o armazenamento, processamento e gestão de dados médicos nos setores farmacêutico e de saúde, tornando tudo mais prático, seguro e eficiente do que os métodos anteriores.

Os registros distribuídos podem ser usados de várias formas, desde a gestão de prontuários eletrônicos até o controle da alocação de órgãos doados. Neste artigo, vamos explorar algumas das principais aplicações possíveis.

Quais problemas o blockchain pode resolver na medicina?

Um dos grandes desafios na infraestrutura de saúde moderna é a falta de ferramentas eficazes para o compartilhamento de dados médicos, obrigando o paciente a levar todos os seus exames e repetir testes ao mudar de clínica. Isso é muito inconveniente e pode levar a tratamentos inadequados.

Outro ponto importante é a ausência de um histórico completo do paciente, já que os dados ficam espalhados em diferentes instituições e nunca são realmente exaustivos.

O terceiro problema — um dos maiores da indústria farmacêutica — é a presença de medicamentos falsificados ou de baixa qualidade, um mercado global que movimenta centenas de bilhões de dólares.

O blockchain, graças à sua transparência, imutabilidade, alto nível de segurança e outros benefícios, pode ajudar a resolver todos esses problemas.

Quais são as aplicações do blockchain na saúde?

Proteger os dados médicos dos pacientes, garantir o compartilhamento seguro dessas informações e acelerar o processo de troca de dados são algumas das principais soluções que o blockchain pode oferecer.

A tecnologia pode ser aplicada com sucesso nas seguintes áreas:

  • gestão de prontuários eletrônicos;
  • cadeias de suprimentos de medicamentos transparentes;
  • combate a medicamentos falsificados e de baixa qualidade;
  • monitoramento da alocação de órgãos doados;
  • realização de pesquisas médicas;
  • melhoria de processos de seguros;
  • análise de dados médicos.

Prontuários eletrônicos

Os prontuários eletrônicos são uma das principais aplicações do blockchain na medicina.

O blockchain garante a imutabilidade dos dados, permite rastrear sua origem e assegura o armazenamento seguro dos registros médicos dos pacientes.

O blockchain pode simplificar muito o intercâmbio de dados entre diferentes participantes do setor de saúde, como clínicas, empresas de pesquisa e seguradoras.

Em muitos países, dados sensíveis de pacientes só podem ser processados com o consentimento do próprio paciente. O blockchain permite que o paciente controle exatamente como seus dados são usados, transferidos e processados.

Por exemplo, a plataforma MedRec (um projeto conjunto do MIT Media Lab e Beth Israel Deaconess Medical Center) dá ao paciente o poder de controlar seus dados e definir permissões de acesso.

Veja algumas das principais vantagens do uso do blockchain para armazenar e compartilhar dados médicos:

  • Gestão e controle dos dados pelo próprio paciente. Uma das grandes vantagens do blockchain é permitir que o paciente gerencie seus dados e controle o acesso a eles. Assim, não há barreiras para acessar laudos médicos ou transferir informações, por exemplo, para outras clínicas;
  • Imutabilidade. O blockchain é um banco de dados descentralizado com dados imutáveis, garantindo que ninguém possa alterar informações sem autorização;
  • Confiabilidade. Todos os registros médicos no blockchain são assinados pela fonte dos dados, facilitando a verificação da autenticidade e rejeição de informações falsas;
  • Segurança. O armazenamento em rede descentralizada torna os dados mais protegidos contra ataques hackers e menos suscetíveis a perdas;
  • Confidencialidade. Os prontuários eletrônicos são criptografados e protegidos por algoritmos criptográficos, acessíveis apenas com as chaves privadas do paciente.

Gestão da cadeia farmacêutica e combate a falsificações

Outro uso relevante do blockchain na medicina é a gestão da cadeia de suprimentos e o combate a medicamentos falsificados.

A ideia é que todas as transações relacionadas a medicamentos de prescrição conectem os participantes do processo — fabricantes, distribuidores, médicos, farmacêuticos e pacientes — e permitam detectar e impedir rapidamente ajustes não autorizados em receitas ou tentativas de falsificação.

Além disso, os registros em blockchain sobre fabricantes, números de série e de lote dos medicamentos podem ser facilmente verificados, ajudando no combate a falsificações. Isso permite garantir o controle de qualidade dos medicamentos e rastrear produtos falsos em todas as etapas da cadeia de suprimentos.

Alocação de órgãos doados

Para realizar um transplante, é preciso o consentimento do doador e o rastreamento da origem do órgão para garantir o cumprimento das normas. Muitas vezes, a chance de vida do paciente depende da agilidade do processo. O blockchain pode aumentar a eficiência e a velocidade dessa operação.

O Ministério da Saúde e Prevenção dos Emirados Árabes Unidos desenvolveu um sistema de gestão de órgãos doados em blockchain, registrando o consentimento do doador e rastreando a origem dos órgãos.

Pesquisa médica

O blockchain também pode impactar positivamente a eficácia das pesquisas médicas.

Primeiro, o blockchain facilita o consentimento dos pacientes para o uso de seus dados em diferentes tipos de pesquisa.

Além do consentimento, o blockchain pode armazenar outros tipos de dados de diversas fontes, como:

  • dados de ensaios clínicos anteriores;
  • informações sobre cuidados com pacientes;
  • dados sobre o fornecimento de medicamentos.

Visualizar o panorama completo e analisar diferentes classes de dados torna a pesquisa médica mais eficiente.

O blockchain também elimina a falsificação de dados e garante sua integridade. Veja as principais vantagens do uso do blockchain em pesquisas médicas:

  • Precisão. Os dados gerados no blockchain por pacientes ou outros participantes são registrados com data e hora, aumentando a precisão das pesquisas. Além disso, a tecnologia resolve o problema de rastrear a origem dos dados, já que é possível acompanhar cada ponto de entrada no banco de dados;
  • Disponibilidade. O blockchain oferece acesso permanente a dados médicos em tempo real, o que é extremamente valioso para pesquisadores;
  • Alto nível de confidencialidade. Um blockchain seguro incentiva pessoas, clínicas e entidades de saúde a compartilhar grandes volumes de dados sobre temas como nutrição, bem-estar, meio ambiente e mais.

Seguro saúde

O seguro saúde é outra área promissora para aplicações do blockchain na medicina. A transparência das informações, a descentralização e a imutabilidade dos dados são características que podem beneficiar todos os participantes da cadeia de seguros, reduzindo a desconfiança. As seguradoras podem diminuir custos e os pacientes recebem reembolsos mais rapidamente em caso de sinistros, especialmente com o uso de smart contracts.

Bancos de dados centralizados tradicionais permitem a correção e exclusão de informações. Já um registro distribuído e imutável é mais adequado para armazenar dados médicos importantes, inclusive para fins de seguro.

Desafios

O blockchain ainda é uma tecnologia nova e tem muito a evoluir. Na medicina, assim como em outros setores, está em fase inicial de adoção. Muitas instituições médicas consideram não ter conhecimento técnico suficiente para implementar a tecnologia. Pacientes também desconhecem o blockchain, e a própria tecnologia ainda é imatura. Além disso, a viabilidade econômica da solução ainda não está totalmente clara.

A falta de um fornecedor único e confiável para “comprar o blockchain” é outro fator que dificulta a adoção. Por ser uma tecnologia nova, é necessário construir infraestrutura do zero, adaptar processos operacionais e criar soluções de pagamento, APIs e outros recursos — o que também assusta.

Outro desafio é o acesso aos dados. Muitas organizações de saúde não estão dispostas a compartilhar informações, e nem todos os pacientes querem ou sabem como gerenciar seus dados médicos.

A escalabilidade é outro ponto crítico. O grande volume de dados médicos é difícil de processar, então blockchains voltados para a saúde precisam ser muito eficientes, sem abrir mão da segurança e da descentralização. Como sabemos, atingir todos esses objetivos ao mesmo tempo não é simples.

Vale lembrar que os sistemas médicos atuais, usados por clínicas e hospitais, nem sempre são seguros. Especialistas em cibersegurança alertam há tempos sobre a possibilidade de ataques para alterar protocolos de tratamento, inclusive de pacientes específicos.

Em resumo, a tecnologia blockchain tem potencial para transformar completamente a forma como os dados médicos são armazenados e compartilhados, aumentar a confidencialidade das informações dos pacientes, otimizar o trabalho dos participantes do setor e, em última análise, revolucionar a saúde. Empresas como IBM, Microsoft, Accenture, Hashed Health, iSolve e Patientory já contribuem fortemente para o avanço do blockchain na área médica. Porém, ainda há muito a ser feito para que o setor adote amplamente o blockchain e suas inovações.

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Autor Patrick Dike-Ndulue

Senior editor covering crypto, onchain equities, and technology.

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Analisado por Rukkayah Jigam

Writer & editor covering digital assets and product updates.