O que são NFTs e por que são relevantes em 2023? Artes, sites, ingressos
NFTs, ou tokens não fungíveis, são um tipo de token de criptomoeda que contém uma assinatura digital original, tornando cada um único. Essa assinatura é um certificado virtual que garante direitos sobre um objeto específico, como meme, foto, obra de arte visual, vídeo ou música.
Cada NFT existe em uma única cópia, e todas as informações sobre seu criador, vendedor, comprador ou compradores, além de todas as transações envolvendo o item, ficam registradas na blockchain.
O mercado de NFT está se recuperando após um fim de 2022 difícil. Segundo um relatório da DappRadar (plataforma especializada em análise de aplicações descentralizadas, ou DApps), os preços dos NFTs dispararam no início do ano, assim como o número de tokens vendidos.
Em janeiro de 2023, foram realizadas 9,2 milhões de compras, um aumento de 37% em relação a dezembro de 2022. O volume negociado também cresceu significativamente e chegou a USD 946 milhões, alta de 38% em relação ao mês anterior.
O que pode ser vendido como NFT?
Em teoria, qualquer coisa pode ser comprada ou vendida como NFT. Tudo que tem formato digital ou pode ser digitalizado pode facilmente virar um token não fungível.
- Imagens (memes, fotos, ilustrações, pinturas etc.)
- Arquivos de áudio (músicas, podcasts etc.)
- Arquivos de vídeo (clipes, filmes, séries)
- Conteúdo em texto (posts, tweets etc.)
- Conteúdo de metaverso (mapas, personagens de jogos, itens digitais, modelos 3D)
- Sites e endereços IP
Qualquer item único pode se tornar um NFT — pode ser uma pintura de Salvador Dalí ou de um artista de rua. O NFT da imagem de um artista de rua dificilmente ficará famoso ou valerá muito, e, em geral, apenas objetos de valor acabam sendo transformados em NFT.
O artista Mike Winkelmann, conhecido como Beeple, vendeu o NFT de sua obra Everyday: the First 5000 Days por um valor recorde de USD 69,3 milhões. Era um arquivo JPEG reunindo todas as imagens criadas por ele ao longo de 5.000 dias.

A empresa de blockchain Injective Protocol comprou a pintura Morons (White), do artista inglês Banksy, por USD 95.000 em uma galeria de Nova York, transformou a obra em NFT e, em seguida, literalmente queimou o original. A tela deixou de existir fisicamente, mas continua viva como entidade digital.

A artista canadense Kristina Kim criou um modelo minimalista de uma casa em Marte, cunhou como NFT e vendeu por USD 520.000.

O DJ 3LAU foi o primeiro músico a vender um álbum em formato NFT. Ele arrecadou um total de USD 11,6 milhões pela coleção.
Um gamer comprou um raro cachorro rosa courier no jogo DotA 2 por USD 38.000. O cão pode ser usado para transportar itens dentro do game.
Um fã de Pokémon comprou um NFT de um card colecionável do personagem Pikachu por USD 250.000.
O cofundador do Twitter, Jack Dorsey, vendeu seu primeiro tweet como NFT por USD 2,5 milhões.
A lista continua. Mas será que o universo dos NFTs é realmente tão promissor? O mercado está mesmo aquecido?
O outro lado da moeda
Há poucos anos, parecia que os NFTs eram uma nova etapa da arte digital. Hoje, porém, já foram identificados muitos problemas na tecnologia, e o fenômeno dos tokens não fungíveis é cada vez mais visto como uma bolha.
Escândalos, processos judiciais e insatisfação dos usuários são cada vez mais comuns no universo dos NFTs. Por exemplo, a Miramax abriu um processo contra Quentin Tarantino por sua tentativa de criar uma coleção de NFTs do filme Pulp Fiction. A empresa, que detém boa parte dos direitos sobre a obra, considerou a criação da coleção para venda como violação contratual.
No início, os colecionadores se interessaram muito pelos NFTs porque prometiam conferir direitos de propriedade sobre um determinado objeto. Eles são vistos como itens raros, geralmente vendidos em leilões.
Um NFT nada mais é do que um certificado com um link para um arquivo. O token em si é único e não intercambiável, mas pode ser vinculado a qualquer arquivo quantas vezes o criador quiser. Além disso, não há restrição para usar imagens e outros objetos digitais já vinculados a outros tokens. O criador de uma imagem pode vendê-la quantas vezes desejar e criar quantos NFTs quiser.
Os tokens não fungíveis deveriam ajudar artistas a monetizar sua criatividade, mas acabaram tornando a vida deles mais difícil.
Existem algumas questões importantes a considerar:
- Qualquer pessoa pode vincular um NFT a qualquer imagem sem verificar a autoria. Segundo o irmão da artista Qing Han, conhecida como Qinni, suas obras foram copiadas e colocadas à venda após sua morte.
- Os marketplaces de NFT não respondem rapidamente a denúncias de autores que tiveram seu conteúdo roubado. É possível remover obras, mas o processo de verificação é demorado. Só na OpenSea, artistas enviam dezenas ou até centenas de reclamações diariamente.
- Alguns artistas chegam a fechar suas galerias. Foi o caso do quadrinista Liam Sharp, criador de HQs como Lanterna Verde e Mulher-Maravilha para a DC. Ele precisou encerrar sua página no DeviantArt após ter obras roubadas e vendidas como coleção de NFTs.
- Bots são usados para criar NFTs de tweets sem consentimento dos autores. O bot @tokenizedtweets, por exemplo, já vinculou tweets a NFTs e os colocou à venda — sem o conhecimento do autor. O bot chegou a criar um NFT com obras recém-lançadas da artista russa Weird Undead e colocou à venda na OpenSea.
Como criar, vender e comprar NFTs
Hoje existem muitos marketplaces de NFT onde é possível criar, vender e comprar tokens não fungíveis. Alguns trazem NFTs variados, outros são especializados em games, arte e outros segmentos.
As plataformas mais populares são OpenSea, Rarible e Mintable.
Criar um NFT é bem simples. Você só precisa de uma carteira de criptomoedas e do arquivo digital que deseja transformar em token não fungível. Depois, basta acessar o marketplace de sua preferência, criar o NFT, dar um nome, fazer uma descrição e definir o preço antes de colocar à venda.
Se você não pretende vender NFTs, mas quer comprar um, pode fazer isso nas mesmas plataformas.
Padrões de NFT
Os padrões de NFT variam conforme o objetivo e o uso para os quais são criados, e existem muitos, especialmente no universo GameFi. Os principais padrões gerais são ERC-721 e ERC-1155.
- ERC-721 foi o primeiro padrão de NFT na rede Ethereum e ainda é o mais utilizado. Ele surgiu em 2018 devido à limitação do ERC-20, já que tokens desse padrão são intercambiáveis (fungíveis) e, portanto, não servem para comprovar a posse de um item único.
- ERC-1155 é, na verdade, uma extensão do padrão ERC-721 e foi criado para resolver várias limitações do anterior. Cada token ERC-721 é representado por seu próprio contrato inteligente, o que exige uma transação separada para cada token. Imagine ter que transferir cem itens dentro de um jogo e precisar pagar taxa para cada transação.
O padrão ERC-1155 permite transferir múltiplos tokens ERC-721 usando um único contrato inteligente. Além disso, o contrato pode representar tokens ERC-20 e ERC-721, ou até ambos ao mesmo tempo. A principal vantagem é a possibilidade de combinar tokens fungíveis e não fungíveis em uma só transação.
Além da Ethereum, outros padrões também são usados para NFTs, como na BNB Smart Chain, Tron, Cosmos e outros.
Direitos autorais sobre objetos cunhados como NFT
Os direitos concedidos por um NFT ao comprador são definidos no contrato inteligente. Normalmente, os direitos autorais permanecem com o criador da obra, e o comprador recebe direitos de propriedade sobre o conteúdo digital. Por exemplo, você pode revender o NFT ou permitir que alguém use seu token para fins publicitários. É como comprar uma pintura: você se torna dono do quadro físico, mas os direitos autorais continuam com o artista. Ou seja, não pode se declarar autor da obra.
Suponha, por exemplo, que você comprou um macaco da coleção Bored Ape Yacht Club. Isso não significa que pode impedir as pessoas de ver, baixar ou usar a imagem, mas você será o único dono do macaco, enquanto os outros ficam só com a cópia. A blockchain registra que você comprou o macaco criado pelo proprietário original, cujos dados estão lá armazenados.
Outra comparação útil: o quadro de um artista famoso na sua parede é original ou reprodução?
Principais tendências de NFT para 2023
Existem várias tendências nesse universo. Veja algumas que devem ganhar destaque nos próximos anos.
- Empréstimos com NFT. É uma abordagem relativamente nova para concessão de crédito. A ideia é que o tomador oferece um NFT como garantia e recebe criptomoeda em troca. O NFT é devolvido ao dono quando a dívida é quitada. Muitas plataformas DeFi já oferecem essa modalidade, como a stater.co.
- Jogos NFT. Com o crescimento dos tokens não fungíveis, gamers passaram a enxergar potencial nos games. Diversos itens digitais podem ser transformados em tokens, como avatares, armas, roupas, pontos bônus e novos níveis. Jogadores que conquistam um NFT raro podem vendê-lo e lucrar com isso.
- Ingressos NFT são outra tendência. Organizadores de eventos podem criar uma quantidade limitada de NFTs e realizar leilão, onde interessados disputam os ingressos tokenizados. As plataformas Welook e Radario permitem criar versões NFT de ingressos.
- NFTs gêmeos digitais permitem reproduzir produtos ou serviços usando realidade virtual e modelagem. Com essas tecnologias, é possível criar cópias digitais de bens e serviços reais. Grandes marcas como Nike, Adidas e Gucci já lançaram tênis virtuais que podem ser adquiridos e usados no metaverso.
- iNFTs, ou "NFTs inteligentes", surgiram em 2022 e unem NFTs à inteligência artificial. A Alethea AI é uma empresa de "metaverso inteligente" que desenvolve tecnologias de IA. O objetivo é criar uma nova classe de ativos inteligentes, com personalidades baseadas em IA que evoluem conforme recebem dados. A empresa já criou o smart NFT Alice, com poderosas capacidades de autoaprendizagem.
- Entre as tendências em arte NFT estão as galerias e casas de leilão no metaverso. As galerias permitem que artistas exponham obras digitais, enquanto as casas de leilão crescem, permitindo que participantes disputem a posse exclusiva de um token único.
- Os NFTs também têm papel no setor imobiliário. Eles podem resolver o maior desafio do segmento: comprovação de posse e transferência de ativos. NFTs permitem que as partes confirmem a propriedade em minutos.
Conclusão
Um NFT é um token único atrelado a um objeto específico, confirmando que o proprietário tem determinados direitos sobre ele.
Os tokens não fungíveis funcionam com tecnologia blockchain e contratos inteligentes. NFTs existem em cópia única, permitindo que qualquer um consulte o histórico e saiba quem é o dono.
Hoje, a tecnologia é mais comum em arte, games e colecionáveis.
Qualquer pessoa pode criar, vender ou comprar NFTs. Basta ter uma carteira de cripto e um arquivo digital para ser "inserido" no token não fungível.
Os NFTs chamam atenção por sua exclusividade e potencial de valorização.
As tendências dos últimos anos mostram que os NFTs estão cada vez mais presentes em diferentes áreas da vida.